sem açúcar adicionado
domingo, 26 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
(do lat. traditione, entrega)
Crime de quem, perfidamente, entrega, denuncía ou vende alguém ou alguma coisa ao inimigo.
segunda-feira, 26 de julho de 2010
Dar, dar-se, doar-se
Antónia lembra-se, desde que era criança, de ouvir a mãe dizer que era preciso dar; “não se pode só receber”, dizia ela muitas vezes. Dizia-o porque o pai, por vezes, expressava discordância.
Ela ouvia isso sem compreender muito bem o sentido dessa preocupação. E também não compreendia a posição do pai. No entanto, nunca se atreveu a fazer perguntas sobre isso. Talvez achasse que as respostas não seriam suficientemente claras ou esclarecedoras. Simplesmente não tinha opinião, não concordava nem discordava. Aceitava como sendo de bem.
Antónia não desistiria de descobrir, por si própria, os motivos da bondade material que não a deixavam indiferente. Também nunca sentiu vontade de questionar a atitude donatória que sempre conheceu na mãe. Aquilo já vinha da mãe dela, pelas histórias que ouvia contar: “Aquela senhora gosta muito de nós e respeita-nos assim tanto porque, há muitos anos atrás, a minha mãe deu de comer ao filhinhos dela muitas vezes. Dava-lhes fruta, milho, leite e outras coisas. Eles eram muito pobres e passavam fome. Ela tinha muitos filhos”. Mas a avó também tinha muitos filhos! Sim, é verdade, mas tinha vacas, porcos e campos cultivados. Tinha muito mais e podia dar. E dava! Antónia sempre se impressionou com isso. Via-se incapaz de tamanha generosidade, e sentia-se preocupada por não ser igual à avó e à mãe. Será que alguma vez na vida conseguiria ser como elas? Agora sentia-se responsável, quase angustiada.
Sempre gostou da determinação e ausência de dúvidas que a mãe demonstrava quando se tratava de pegar e dar a outro. Fazia-o com tamanha certeza do acto! Nem se tratava de obrigação, ou de dar para que a seguir recebesse. Era dar para ficar dado.
Às vezes o acto de dar não constituía mistério nenhum. Havia sempre morangos que cresciam e amadureciam no quintal em quantidades que não chegariam a ser consumidas por uma família normal, com um casal de filhos. Pronto, mistério solucionado: tratava-se de bens perecíveis. Não havia motivos para ficar a gastar os neurónios. Sossega, Antónia!
Mas, e das outras vezes? Havia alturas do ano que a mãe gastava dinheiro, comprava para dar. Nesses casos era mais complicado. O dinheiro faltava, ao que já não era muito. Ninguém fazia anos. Nem sempre era festa de Páscoa, Natal ou Ano Novo. Nem festa de baptizado, comunhão solene ou casamento. Então, lá ficava a Antónia sem perguntar, mas sem compreender ainda.
Nunca se atreveu a questionar, a discordar ou a julgar. Não, não. Ela via na mãe uma certeza. E isso ia bastando. As únicas questões, ia ela colocando a si própria. No entanto, continuava cuidadosa, pois nunca as verbalizou. Apenas se as colocava. Não se tratava propriamente de dúvidas, era mais um querer saber integralmente.
Com o decurso de tempo Antónia foi tendo oportunidades para ir experimentando esse fenómeno. Não apenas dando. Na verdade, era mais o “receber” que a fazia parar para se lembrar do doar da mãe. Cada vez mais fazia sentido. Dar sem esperar receber, dar porque sim. Dar pelo prazer de partilhar. Dar-se, doar-se.
Ela ouvia isso sem compreender muito bem o sentido dessa preocupação. E também não compreendia a posição do pai. No entanto, nunca se atreveu a fazer perguntas sobre isso. Talvez achasse que as respostas não seriam suficientemente claras ou esclarecedoras. Simplesmente não tinha opinião, não concordava nem discordava. Aceitava como sendo de bem.
Antónia não desistiria de descobrir, por si própria, os motivos da bondade material que não a deixavam indiferente. Também nunca sentiu vontade de questionar a atitude donatória que sempre conheceu na mãe. Aquilo já vinha da mãe dela, pelas histórias que ouvia contar: “Aquela senhora gosta muito de nós e respeita-nos assim tanto porque, há muitos anos atrás, a minha mãe deu de comer ao filhinhos dela muitas vezes. Dava-lhes fruta, milho, leite e outras coisas. Eles eram muito pobres e passavam fome. Ela tinha muitos filhos”. Mas a avó também tinha muitos filhos! Sim, é verdade, mas tinha vacas, porcos e campos cultivados. Tinha muito mais e podia dar. E dava! Antónia sempre se impressionou com isso. Via-se incapaz de tamanha generosidade, e sentia-se preocupada por não ser igual à avó e à mãe. Será que alguma vez na vida conseguiria ser como elas? Agora sentia-se responsável, quase angustiada.
Sempre gostou da determinação e ausência de dúvidas que a mãe demonstrava quando se tratava de pegar e dar a outro. Fazia-o com tamanha certeza do acto! Nem se tratava de obrigação, ou de dar para que a seguir recebesse. Era dar para ficar dado.
Às vezes o acto de dar não constituía mistério nenhum. Havia sempre morangos que cresciam e amadureciam no quintal em quantidades que não chegariam a ser consumidas por uma família normal, com um casal de filhos. Pronto, mistério solucionado: tratava-se de bens perecíveis. Não havia motivos para ficar a gastar os neurónios. Sossega, Antónia!
Mas, e das outras vezes? Havia alturas do ano que a mãe gastava dinheiro, comprava para dar. Nesses casos era mais complicado. O dinheiro faltava, ao que já não era muito. Ninguém fazia anos. Nem sempre era festa de Páscoa, Natal ou Ano Novo. Nem festa de baptizado, comunhão solene ou casamento. Então, lá ficava a Antónia sem perguntar, mas sem compreender ainda.
Nunca se atreveu a questionar, a discordar ou a julgar. Não, não. Ela via na mãe uma certeza. E isso ia bastando. As únicas questões, ia ela colocando a si própria. No entanto, continuava cuidadosa, pois nunca as verbalizou. Apenas se as colocava. Não se tratava propriamente de dúvidas, era mais um querer saber integralmente.
Com o decurso de tempo Antónia foi tendo oportunidades para ir experimentando esse fenómeno. Não apenas dando. Na verdade, era mais o “receber” que a fazia parar para se lembrar do doar da mãe. Cada vez mais fazia sentido. Dar sem esperar receber, dar porque sim. Dar pelo prazer de partilhar. Dar-se, doar-se.
domingo, 4 de abril de 2010
domingo, 28 de março de 2010
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